sábado, 10 de janeiro de 2009

Da amargura de alma ao cântico de vitória...

Em I Samuel capítulos 1 e 2 a Bíblia nos apresenta uma parte da história de vida de uma mulher chamada Ana, mostra-nos como ela trocou a amargura de sua alma pelo cântico de vitória em louvor a Deus.

Podemos a partir de sua história observar e aprender atitudes que tornarão nossa vida cristã mais genuína e entregue a Deus.

Ana como muitos de nós tinha suas necessidades ditas básicas supridas, tinha comida, um lar e um esposo que a amava, porém era estéril, não podia gerar filhos (ISm 1.5).

A partir disso, podemos diferenciar dois modos pelos quais Ana era vista pelas pessoas que conviviam com ela: seu marido Elcana (ISm 1.2) e sua competidora Penina (ISm 1.6).

Seu marido Elcana não a rotulava como estéril e nem jogava em rosto a todo o momento a vergonha de ter uma esposa com a madre cerrada. Ele a amava tanto que quando na época do sacrifício, lhe dava uma parte excelente (ISm 1.5). Elcana não via razão para seu sofrimento chegando até a dizer: ‘‘... Ana por que choras? E por que não comes? E por que está mal o teu coração? Não te sou eu melhor do que dez filhos?’’ (1Sm 1.8).

Mas só sabe o tamanho da dor quem sofre e não quem observa.

Oposta a visão de Elcana está Penina (sua segunda esposa, pois no Antigo Testamento era costume que um homem tomasse uma segunda esposa caso a primeira fosse estéril).

Penina era fértil (ISm 1.4) e fazia questão que Ana soubesse disso, pois a irritava constantemente para deixá-la irritada e triste (ISm 1.6). Penina aqui representa aquelas pessoas que constantemente nos afrontam e nos rotulam não pelo que possuímos, mas pelo que não temos.
Estes constantemente nos dizem: você ‘’não’’ pode ter filho; você ‘’não’’ pode cantar; você ‘’não’’ prega nada; você ‘’não’’ vai conseguir... ‘’não’’...’’não’’ e ’’não’’.

Ás vezes somos rotulados por tantos ‘’nãos’’ que nossas feridas da alma parecem nunca cicatrizar porque sempre existe pessoas que fazem questão de nos lembrar de nossas impossibilidades. Com isto a pressão sobre nós aumenta cada vez mais, nos sentimos esmagados e aos poucos sentimos que deixamos de existir, pois o que fazemos de bom quase nunca é lembrado.

Muitos que não tem a Deus como Senhor e Consolador de suas vidas sucumbem a esta pressão e acabam por meios próprios achando um meio de calar estas vozes negativas, elas se calam, mas eles, porém podem perecer no inferno eternamente.
Mas quem tem a Jesus em sua vida e mesmo você que ainda não o tem como seu Salvador pessoal, mas deseja recebê-lo faça isso agora, pois Ele pode mudar a sua história ainda hoje, veja como a história de Ana foi mudada.

Ana cria em seu Deus e sabia que nem Penina, nem Elcana entendiam a extensão de sua dor por ser estéril. Ela sabia que só aos pés de seu Senhor poderia expressar todo sentimento de frustração e dor que sentia.

Ela se colocou aos pés de Deus no templo com amargura de alma, orou ao Senhor e chorou abundantemente (1Sm 1.10) . Pois ainda que sejamos filhos de Deus, também somos humanos não somos ‘’super-homem’’ e nem ‘’mulher-maravilha’’, as pressões da vida nos afetam como a todos (IPe 5.8-9), mas o que nos diferencia é em quem colocamos nossas queixas, angústias e ansiedades, Ana as colocou aos pés de Deus.

Faça isso hoje, agora, chore ainda que desesperadamente aos pés de Jeová, pois só Ele saberá interpretar o que cada lágrima sua quer dizer e Ele vê o tamanho da dor do seu coração.

Ana estava tão desesperada e confiante que votou um voto ao Senhor (ISm 1.11), não lhe digo para fazer um voto, a menos que o Espírito Santo lhe dirija pois votos não são ‘’varinhas mágicas’’ que abrem as portas da vitória para nós, pois a palavra de Deus diz em Eclesiastes 5. 4-5: Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o. Melhor é que não votes do que votes e não pagues.
No caso de Ana seu voto e seu cumprimento faziam parte dos planos de Deus para sua vida e de todo Israel.

Porém, mesmo orando a Deus Ana ainda foi rotulada pelo sacerdote Eli como embriagada (ISm 1.14), podemos aprender que mesmo quando buscamos algo do Senhor muitos que se dizem “filhos de Deus” mas não conservam um relacionamento genuíno com Ele, levantam calúnias e mentiras a nosso respeito.

Mas como cremos em Deus e não em homens apesar das afrontas fiquemos firmes, pois Deus conhece a sinceridade do nosso coração. Tanto isto é verdade que Deus ainda pela sua infinita bondade e misericórdia usou a boca de Eli para abençoá-la dizendo “...vai em paz, e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe pediste.” (ISm 1.17).

Ana creu e no mesmo instante se levantou, foi para casa, comeu e a expressão de seu rosto já não era mais de tristeza (ISm 1.18).

E nós?? Cremos quando Deus fala que vai nos abençoar?? Que vai mudar a nossa sorte?? Ou passamos a repetir o mesmo discurso de impossibilidades de nossos acusadores: “Eu ser abençoado? ‘’não’’ posso’’; eu pregar?! ‘’não’’ dá; eu cantar?! ‘’não’’ jamais... Reavaliemos, pois a nossa postura frente às promessas de Deus.

Voltemos a Ana, ela creu, sua benção chegou (ISm 1.27), sua esterilidade foi tirada e ela amou mais a fidelidade do Deus da benção do que a benção em si, mesmo que sua vitória fosse o que ela mais desejava que era um filho.

Seus valores não se inverteram e ela foi fiel ao seu Deus, e no tempo determinado pagou seu voto e entregou Samuel (seu filho, cujo nome significa ‘’ouvido de Deus’’) ao Senhor (ISm 1.28).

Imagine: você pede a benção; Deus dá e você devolve?? Que loucura você pode pensar; porém esta disponibilidade de Ana de entregar o que mais almejava e amava a Deus resultou em benção não só a ela, mas a toda Nação de Israel, já que Samuel foi juiz, sacerdote e profeta.

Devemos aprender a entregar a Deus as bênçãos que seriam só ‘’nossas’’ pois Ele pode fazer que muitos sejam abençoados a partir desta entrega.

Após entregar seu filho a Deus, Ana ao invés de chorar e se arrepender O adorou e entoou um cântico ao Seu Deus em oração (ISm 2.1-10) e se disponibilizou a ser usada por Deus para zelar do menino, pois sempre lhe fazia uma túnica e de ano em ano, lhe levava quando seu marido Elcana subia a sacrificar o sacrifício anual (ISm2.19).

A fidelidade a Deus de Ana resultou em mais frutos, pois ela teve mais 5 filhos (ISm 2.21). Não quero aqui pregar à tão difundida ‘’teologia da prosperidade’’ que falaria assim: ‘’Promoção de hoje – se você der seu filho para Deus hoje Ele te dará mais cinco, é garantido!!”. Não Deus não trabalha desta maneira, Ele é Deus e não banco de investimento e com cada filho tem um modo único de trabalhar e de tratar.

Deus vê a nossa fidelidade a Ele e nos recompensará segundo a Sua infinita vontade e não segundo o nosso querer, pois poderemos desfrutar de Suas bênçãos aqui na terra enquanto somos peregrinos, ou ainda Suas bençãos poderam recair sobre nossa família ou/e teremos grande gozo e alegria de as desfrutarmos na Cidade Celestial.

Devemos ter em mente que o mais importante não é o ‘’investimento’’ que fazemos e nem o ‘’retorno’’ que esperamos receber de Deus quem pensa assim ore para que possa se converter genuinamente.

O importante é a nossa fidelidade e as atitudes que adotaremos frente a Deus apesar das circunstâncias, quer sejamos abençoados, quer não, contentes, felizes, amargurados ou frustrados. Devemos sempre ser fiéis ao Todo-Poderoso.

Não há santo como o SENHOR; porque não há outro fora de ti; e rocha nenhuma há como o nosso Deus.
I Samuel 2.2

3 comentários:

  1. Jaqueline, que palavra maravilhosa a sua. Quero pedir autorização para usar este comentario, na conclusão de minha reflexão hoje a noite, pois bate com a minha mensagem.
    Que bom que Deus usa não somente pastores, mas suas ovelhas também.
    Que Deus abençoe e continue -lhe usando para sua Glória.
    Abração.
    Pr. Isaque Costa

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  2. Jaqueline,Deus fala conosco de varias formas e usa a cada um de nós como uma ferramenta em suas mãos.Ele acabou de falar comigo neste instante através de você, usando-te como uma ferramenta, ao fazer-te pelo espírito santo, com que você digitasse este texto tão maravilhoso sobre Ana.
    Pela graça do nosso Deus, estou pastoreando uma igreja evangélica Assembléia de Deus no bairro de Inhoaíba no Rio de Janeiro. Hoje ao me levantar pela manhã, estava pensando sobre em que tema falaria em minha igreja no culto à noite e me veio à memória, falar sobre a AMARGURA. Então pedi a Deus, um sinal como aprovação, do que eu estava pensando em entregar às suas ovelhas. Foi então que me coloquei diante do meu computador e ao pesquisar esporadicamente, me deparei com esta sua matéria, que fala exatamente do mesmo assunto em que eu estava pensando em abordar no culto de hoje. Estou narrando tudo isso, a fim de mostrar a você, que tu és uma ferramenta nas mãos do Senhor.Nada se faz por acaso. Há um propósito de Deus em nossas vidas, para cada um de nós. Que Deus te abençoe sempre.Fique na paz.

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  3. Estudo abençoado muito edificante, glorificado seja Deus

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Obrigado pelo comentário,
Deus te abençoe, estarei orando por sua vida !